quinta-feira, 8 de julho de 2010

A epopéia de Eliza


Imagine-se assistindo a uma tragédia grega escrita por um grande dramaturgo. O palco pode ser Atenas no século III a.C. ou o Rio de Janeiro em 2010. A personagem principal é uma mulher que se apaixonou por um homem casado. Seu dilema, suas experiências e o desenrolar dessa história formam a trama da peça.

Na sociedade em que Eliza – ela se chama Eliza – vive, é comum que homens comprometidos tenham relações extraconjugais. Às mulheres isso não é permitido, claro. Afinal, lá as leis de propriedade são bem claras: o dono pode fazer o que quiser, cabe ao escravo, à mulher ou ao animal obedecer-lhe, ser fiel e servi-lo quando exigido. Não são considerados cidadãos, portanto não têm direitos.

Mas em determinado momento – no segundo ato, para ser mais precisa –, nossa personagem engravida. Isso ocorre ainda no início do romance entre eles. A questão se torna então muito mais complicada: segundo as leis não escritas, tudo bem o homem pular a cerca, mas sem grandes conseqüências como destruir um casamento ou, pior ainda, deixar um herdeiro!

A choradeira ganha força no palco. O coro entoa o ódio da esposa traída. Eliza aparece no canto direito da platéia, já com seu ventre crescendo.

O goleiro, ops, o marido, é um homem público proeminente e decide dar um basta naquilo. Não teria como arcar com tamanho escândalo moral. Não queria ser responsável por seus atos. Ele resolve forçar a jovem a interromper a gestação.

Entra em cena um observador da história, que coloca a seguinte dúvida: “– Ué, mas isso não era crime? Pode fazer aborto no Brasil?”

Persuadida, Eliza toma a poção feita pelos oráculos, mas por sorte o remédio não tem efeito. Ela de fato queria a criança. Os deuses devem ter ouvidos suas preces.

A narrativa avança no tempo e, alguns meses depois, o neném nasce, amparado pela família de Eliza. Ela decide que o goleiro precisa conhecer e reconhecer seu filho. Torna pública a questão e pede auxílio às autoridades locais. Era um menino, um varão, um cidadão! Algo seria feito, sem dúvidas.

Mas Eliza tinha ido longe demais. Seu ex-amante, que antes a amava, planeja em detalhes seu assassinato. Era a única forma de não tê-la mais importunando a sua vida. Uma história dessas poderia, afinal, impedir sua ascensão profissional, comprometer sua imagem e, pior ainda, dilapidar sua fortuna crescente.

Achava que ninguém daria falta dela. Era, afinal, uma mulher sem grande notoriedade. E de fato, o apelo aos sábios e à força da lei ainda não tinha surtido efeito. Tinha que aproveitar a oportunidade. Pediu ajuda a alguns amigos e tentou não se envolver diretamente na ação.

Daí para frente, as cenas são de horror: Eliza é seqüestrada, mantida em cárcere privado, espancada. Por fim, é morta e esquartejada. Seus restos são oferecidos a Cérbero, guardião do reino de Hades.

O coro entra no final com a lição de moral da história: Eliza foi longe demais para uma mulher. Apaixonou-se de forma livre, engravidou do homem errado, não aceitou suas ordens. Morreu, como deveria ser.


***


O texto lhe pareceu absurdo demais? Bem, ele pode ser resumido em algumas poucas palavras: pelo menos desde a Grécia Antiga a mulher é considerada pela sociedade (machista) inferior ao homem, de onde decorre todo o tipo de preconceito e discriminação. Entre elas, a violência física e o assassinato. De Sócrates a Bruno, a triste verdade é que Eliza é apenas mais uma personagem dessa epopéia feminina.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Nota de repúdio

CARNIFICINA É NÃO DESCRIMINALIZAR O ABORTO: UM DIREITO DA MULHER, UM DEVER DO ESTADO

As Centrais Sindicais brasileiras repudiam e manifestam a sua indignação à declaração do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que afirmou nesta segunda-feira, dia 21, durante sabatina do Jornal Folha de São Paulo, que não mexeria na atual legislação sobre o aborto. Para ele "liberar o aborto criaria uma verdadeira carnificina no país."

É lamentável que um candidato a presidência da República tenha essa postura. Ao fazer essa declaração, ele fecha os olhos para milhares de mulheres que recorrem ao aborto como o último recurso para evitar uma gravidez indesejada e não como um método anticoncepcional.

Não há mulher ou homem que defenda o direito ao aborto, que considere a interrupção da gravidez uma decisão fácil, pelo contrário, é uma decisão difícil para a imensa maioria das mulheres que precisam recorrer a ele, podendo gerar conseqüências tanto físicas quanto psicológicas.

O reconhecimento do direito das mulheres em decidir sobre sua sexualidade e reprodução é o princípio dos direitos humanos e da cidadania que substancia os direitos sexuais e os direitos reprodutivos.

Serra parece desconhecer os números apresentados pelos países onde o aborto foi legalizado e é realizado em condições seguras e adequadas. Nesses locais houve redução do número de abortos, da mortalidade materna e das seqüelas provocadas pelos abortos realizados em péssimas condições. Só para se ter uma idéia, enquanto a taxa de aborto por 1.000 mulheres é de 4/1.000 em países como a Holanda, no Brasil a estatística é 10 vezes maior: 40/1.000. E na África do Sul, país que legalizou o aborto em1997, amortalidade materna caiu mais de 90% desde então.

Surpreende que um ex-ministro da Saúde faça uma declaração tão irresponsável como essa. Ele conhece os números do Sistema Único de Saúde. Quando Ministro da Saúde, José Serra foi pressionado a aprovar a norma técnica que assegura o acesso ao aborto legal no SUS. Ele sabe muito bem a quantidade de mulheres atendidas com hemorragia ao tentar fazer abortos em condições precárias. Sabe que a carnificina que ocorre é aquela patrocinada pela hipocrisia, pelos conservadores, moralistas, que fecham os olhos à realidade vivida por milhares de mulheres, que a cada dia, colocam suas vidas e sua saúde em risco, especialmente as pobres.

Ao utilizar o termo carnificina Serra propaga o caos e a desordem, o pânico.

Por isso, nós Centrais Sindicais, abaixo assinadas reiteramos nosso repúdio às palavras de José Serra e reforçamos o compromisso que assumimos na Assembléia Nacional da Classe Trabalhadora realizada no dia 1º de junho de 2010, onde as centrais assumiram a luta pela descriminalização do aborto e seu tratamento enquanto questão de saúde pública.

Não podemos aceitar que o Estado controle o corpo das mulheres e imponha a maternidade como um destino obrigatório a todas as mulheres.


Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Central Única dos Trabalhadores

Força Sindical

União Geral dos Trabalhadores

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A fala e o fato: bola, machismo e violência contra as mulheres

As declarações de Felipe Melo, jogador da seleção brasileira de futebol, durante coletiva de imprensa no último dia 31, ao direcionar suas críticas à bola que será utilizada na Copa do Mundo de Futebol de 2010, explicitou o machismo e uma visão de naturalização da violência contra as mulheres. Nas palavras do jogador: "A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa de agora é igual patricinha, que não quer ser chutada de jeito nenhum."

Para todos e todas nós que defendemos uma sociedade com igualdade entre homens e mulheres; livre da violência sexista, esta declaração não é "irreverente" como afirmou o Portal G1 da Rede Globo. É uma declaração grave, inaceitável e que precisa de retratações públicas. A violência contra as mulheres é possivelmente a violação de direitos humanos mais tolerada socialmente. Ainda é considerada algo natural na vida das mulheres, como se fizesse parte do destino. Por isso, muitas vezes não nos damos conta de que, em determinados momentos, estamos diante de um ato de violência sexista.

Nenhuma mulher gosta ou aceita ser chutada, ser vítima de qualquer ato de violência, seja ela rica ou pobre, branca ou negra, jovem ou adulta. As palavras de Felipe Melo ainda demonstram o preconceito com relação às mulheres pobres ao afirmar que a violência contra as mulheres é apenas um problema das classes baixas. Sabemos que esse tipo de violência é transversal e atravessa todas as classes sociais e diferentes culturas e religiões.

A violência é resultado das relações desiguais entre homens e mulheres, e acontece todas as vezes em que as mulheres são consideradas coisas, objetos de posse e inferiores aos homens. As mulheres têm uma longa trajetória de luta por emancipação política, econômica e pessoal; entretanto, ao mesmo tempo em que hoje avançamos na conquista de espaços, na garantia e ampliação de direitos, são ainda vistas, e muitas vezes tratadas, como seres inferiores, o que permite especialmente aos homens, o direito de ter a mulher como sua propriedade, como objeto.

Além disso, a grande mídia joga no time que reafirma a violência contra as mulheres na medida em que cumpre o papel de reafirmação desse machismo desde associar o corpo das mulheres às mais diversas mercadorias à banalização do sexo e da violência, a fragilidade e a submissão das mulheres reforçadas como coisa natural. Da mesma forma, a TV interfere no imaginário coletivo, perpetuando um mundo habitado pela violência e desigualdades de gênero em vez de produzir imagens que proponham novas possibilidades nas relações sociais.

O enfrentamento da violência contra as mulheres é ainda um grande desafio. Para os movimentos sociais, uma vez que a luta contra a violência precisa ser parte da luta por construção de autonomia das mulheres e de transformações gerais na sociedade e para os governos democráticos que defendem a cidadania das mulheres, como por exemplo, a Lei Maria da Penha e o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à violência contra as mulheres.

A violência não pode ser camuflada. É importante visibilizá-la para afirmar que existe, ter dimensão de sua extensão; e que é preciso combatê-la. A CUT jamais se furtará de denunciar e de lutar por uma vida sem violência para todas as mulheres.


Violência contra as mulheres: tolerância nenhuma!

Artur Henrique, presidente da CUT, e Rosane Silva, secretária nacional da Mulher Trabalhadora e Integrante da Coordenação Executiva da MMM

Fonte: http://www.cut.org.br/content/view/20703/

Moção de Repúdio ao Estatuto do Nascituro



Moção de Repúdio ao Estatuto do Nascituro

A Marcha Mundial das Mulheres repudia com indignação o Projeto de Lei (PL) de autoria do Deputado Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG), que propõe instituir o Estatuto do Nascituro. O PL passa a considerar sujeito pleno de direito o óvulo fecundado, ou seja, o concebido e não nascido passa a ter mais direitos do que a mulher.

Tal PL pretende ainda legalizar, a violência sexual, especialmente o estupro que sofrem as mulheres. Tornando inadmissível o aborto conseqüente desta violação e instituindo o pagamento de auxilio para sustentação do nascido até os 18 anos. A “Bolsa Estupro”, como é conhecida pelos movimentos de mulheres, reforçará que a punição recairá sobre a própria mulher. A bolsa terá que ser paga pelo agressor e caso não o faça o ônus recairá sobre o Estado.

Afora a hipocrisia, se destaca a pretensão do legislador em querer determinar quando começa a vida, coisa que nem a ciência ousou fazer. Ao analisar os dispositivos desta proposta cai por terra o discurso de “proteção da vida”, pois não se vê nada além do que já tratam as legislações vigentes, sobre direitos de personalidade, direito de saúde e patrimoniais dos recém nascidos.

Caso aprovado fica proibido ainda qualquer manifestação que trate do assunto Aborto, cerceando o direito do debate quesito fundamental na democracia.

Entendemos que a proposta do “Estatuto do nascituro” deve ser rechaçada, pois ela significa mais um dos ataques dos conservadores, machistas e opressores:

- Condena as mulheres à submissão, mantendo-as expostas à violência;

- Reflete a omissão do legislativo diante do aborto como elemento de preservação da vida das mulheres e de garantia da autonomia;

- Golpeia a democracia, a igualdade e a justiça, atingindo bens e valores construídos historicamente.

O avanço rumo à aprovação do chamado “Estatuto do Nascituro”, deve ser visto como ameaça aos direitos das mulheres. Nele, estão reunidas as pautas mais retrogradas e de submissão, ostentadas pelo patriarcado e as instituições que o perpetuam, ao longo dos séculos: controle sobre o corpo das mulheres, a institucionalização da violência sexual e o domínio sobre o destino das mulheres.

Direito ao nosso corpo. Legalizar o aborto!

Marcharemos até que todas sejamos inteiramente LIVRES!

MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mulheres preparadas para conquistar o poder

Pela primeira vez o Brasil tem chance real de ter uma mulher presidente e reverter o quadro que o coloca entre os países com menor percentual feminino em cargos eletivos. Esse foi o tom do Seminário Internacional Mulher e Participação Política na América Latina, no fim de semana em Brasília, contando com lideranças de 11 países e com a vereadora Marta Rodrigues.

Na América Latina, as mulheres vêm conquistando espaços de destaque na vida pública, a exemplo da Argentina e da Costa Rica que são governadas por presidentas. No Brasil, embora a maioria do eleitorado seja feminina, ainda há muito a ser feito: apenas 10% dos cargos eletivos são ocupados por mulheres. Para lideranças femininas de 11 países que compareceram ao Seminário Internacional "Mulher e Participação Política na América Latina – Desafios para a construção da igualdade"; está na Hora de reverter esse quadro.

A vereadora Marta Rodrigues, junto ao coletivo da Secretaria Estadual de Mulheres do PT Bahia e à vereadora Vânia Galvão (PT), participou de todas as mesas do evento organizado pela secretaria Nacional de Mulheres do PT e pela Secretaria de Relações Internacionais, nos dias 22, 23 e 24 de abril, em Brasília.

Marta relata que mesmo tendo evoluído bastante nos últimos oito anos em relação à política para mulher, o Brasil ocupa a 107ª posição no ranking dos países com maior porcentagem de participação da mulher na política. A líder é Ruanda com 56,3% de seu quadro político ocupado por pessoas do sexo feminino, seguida pela Suécia (46,4%), Suldáfrica (44,5%), Cuba (44,5%), Islândia (42,9%), Holanda (42%), Finlândia (40,15%), Moçambique (39,2%), Angola (38,6%), Dinamarca (38%).

“Boa parte desses países conseguiram criar um sistema de punição aos partidos que não respeitam as cotas de participação da mulher, através, por exemplo, do corte de benefícios”, explica a vereadora baiana. No Brasil, a política de cotas começou em 1985, estipulando em 20% o percentual de mulheres entre cargos eletivos. Hoje esse percentual é de 30%, mas, a maioria não consegue cumprir a lei e não é punida. “Lamentavelmente o sistema eleitoral não pune nem ajuda que mulheres se fortaleçam nos espaços de poder e decisão”, aponta.

A chance de reverter esse quadro é clara para as participantes do seminário: é preciso eleger uma mulher para presidente. A mesa de abertura “Participação política das mulheres na América Latina – Avanços e desafios”, contou com a ex-ministra chefa da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff e com a politóloga uruguaia e senadora pelo novo movimento de participação popular do Uruguai “Espacio 609” , Constanza Moreira. Para Dilma, o Brasil já está preparado para ter uma presidente. “E acho mais: as mulheres estão preparadas para ter uma presidente mulher”, disse e foi bastante aplaudida.

A senadora uruguaia defendeu a continuidade na política externa do Brasil para o Mercosul e destacou qualidades da pré-candidata: “Ter uma mulher a frente do governo de um país chamado a ter uma papel de liderança na América Latina é dar à mulher destaque”.


Transversalidade

Dilma lembrou a criação, nos primeiros dias do governo Lula, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e ações em benefício das mulheres nos programas mais importantes do Governo Federal. No Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), melhorias urbanas, crescimento de Índice de Desenvolvimento Humano e cidades mais planejadas são benefícios às famílias mais pobres, quase sempre chefiadas por mulheres. “Só as mulheres recebem o bolsa-família, porque não vão gastar o dinheiro com qualquer coisa, vão privilegiar a alimentação de seus filhos”, acrescenta Dilma.

O Programa Minha Casa Minha Vida, prossegue a ex-ministra, tem entre seus critérios de seleção a preferência por famílias chefiadas por mulheres. Programas de assentamento e de agricultura familiar do Governo privilegiam mulheres e ainda exigem a concordância dela no caso da família optar por alienação da propriedade.

“A importância que um seminário desses nos traz é saber dos desafios que ainda temos a enfrentar em nível de América Latina”, analisa Marta Rodrigues. “A gente compreende que houve avanços, mas também que ainda impera uma sociedade machista”.


Para aumentar o espaço da mulher

Para Marta, o machismo não só afeta a vida de mulheres, mas condiciona toda a sociedade em questões de gênero à supremacia masculina. Para quebrar os pilares do machismo, “precisamos continuar o que o Governo Lula vem fazendo: promovendo a igualdade de forma transversal em todas as áreas, mas é preciso atuar na Educação que é base da transformação, também na Justiça, na economia através da promoção de emprego e renda e equiparação salarial, bem como na saúde através de atenção à saúde sexual e reprodutiva”.

Marta Rodrigues salienta que durante o Governo Lula, foram realizadas duas grandes conferências nacionais com cerca de 320 mil mulheres de todos os Estados e do Distrito Federal, resultando em dois planos de políticas para as mulheres. No primeiro, 199 ações envolveram 19 organismos governamentais e no segundo, 388 ações estão sendo executados por 22 órgãos do Governo. "Um avanço muito importante na nossa história".

Houve evolução também na reforma política, que possibilitou pequenos avanços significativos como o estabelecimento de 5% do fundo partidário para o fortalecimento da candidatura da mulher e 10% para a formação política delas.

“Mas ainda vivemos um regime de patriarcado no controle inclusive da divisão do trabalho”, adverte a vereadora. Na capacitação, completa: “nós estamos na frente, mas quando vamos ver em questão de salários ficamos muito abaixo”. Para Marta, políticas de cotas são necessárias, mas temporárias: “o que é preciso são ações de longo prazo e concretas”.

Para aumentar o espaço da mulher nos cargos eletivos:

1. Acabar com o preconceito machista nos espaços políticos

2. Combater o engessamento das estruturas governamentais

3. Coibir a burocracia

4. Acabar com o paternalismo de políticas assistencialistas

5. Extinguir leis retrógradas

6. Combater a Interferências do segmento religioso

7. Valorizar mulheres realmente atuantes ou engajadas no movimento feminista em detrimento das “políticas” de fachada

O Seminário Internacional "Mulher e Participação Política na América Latina – Desafios para a construção da igualdade" é preparação para a Plenária Nacional de Mulheres do PT, agendada para acontecer em final de maio.


Passo à frente

O Brasil pode comemorar: 89% dos 27 estados aderiram ao Pacto Nacional pelo enfrentamento da violência contra a mulher. Dos 27, 22 estados assinaram o pacto. “Isso demonstra compromisso com a aplicação da Lei Maria da Penha (11.340/06), e resultou na implantação de 147 juizados especializados ou varas especiais. “Aqui na Bahia foram criadas três varas para atender mulheres vítimas de violência”, destaca Marta. “Esses locais permitem outro olhar e outro tratamento às vítimas da violência e agilidade no cumprimento da Lei".

Dos 27 estados brasileiros e do Distrito Federal, foram implementadas 68 casas-abrigo e 146 Centro de Referência que permitem acompanhamento multidisciplinar das vítimas, além de 56 núcleos especializados e 476 delegacias ou posto de atendimento. Há ainda sete serviços de responsabilização dos agressores com atendimento de equipe multidisciplinar para todo agressor, no âmbito do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania - Pronasci.

Marta conclui que houve um retrocesso com a mudança de um dos artigos da Lei Maria da Penha. “A própria justiça está fragmentando a lei, ao colocar que a denuncia só será válida se originar da vítima e não de uma testemunha. “É a volta do ditado - Em briga de marido e mulher não se mete a colher”, lamenta.

sábado, 24 de abril de 2010

Inventando a contra-mola que resiste!

"Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera." Che Guevara

Queremos a universidade pintada de preto. Queremos a universidade pintada de lilás. Pintada de vermelho. Com todas as cores de um arco-íris. Pois somos povo. Somos negras. Somos indígenas. Somos uma Primavera a colorir a universidade.

Mais de trinta e cinco mil estudantes se apertam na universidade hoje. A UFBA cresce, e a nossa luta cresce junto, com a necessidade de levantar cada vez mais alto nossas bandeiras.
Cada estudante tem o direito de acesso pleno ao ambiente universitário, com segurança, alimentação, acesso a material didático, cultura, arte, lazer, cidadania. A universidade deve dar condições à pesquisa na graduação. Deve incentivar o protagonismo juvenil nas ações universitárias. E o Movimento Estudantil deve ter condições de assumir essas lutas e inaugurar um novo momento de grande mobilização na construção de uma outra universidade: Democrática, Popular e Integrada à Comunidade!

No último período, nós da CHAPA 1 PRIMAVERA NOS DENTES, estivemos junto aos centros e diretórios acadêmicos e nos diversos movimentos sociais (Mulheres, LGBT, Indígena, Sem Terra, Negras e Negros), encampando lutas importantes.

Queremos chamar cada estudante da UFBA para dizer que NÃO TOPAMOS O VALOR DE R$ 5, 50 DAS REFEIÇÕES DO RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO! BANDEJÃO NA UFBA! O valor abusivo dá a nossa universidade o título de “RU mais caro do Brasil”. Convocamos cada estudante da universidade a lutar contra mais esse abuso e cobrar uma política verdadeiramente eficaz de permanência estudantil!

Propostas:
  • BANDEJÃO NA UFBA É UM REAL!
  • 15% do Orçamento da Universidade para Assistência Estudantil
  • Pela construção de novas residências universitárias!
  • Pela revitalização e aumento de vagas na creche da UFBA
  • Pelo aumento de bolsas-permanência
  • Política de permanência para estudantes indígenas
  • BUZUFBA - Transporte gratuito intercampi
  • Mais controle dos serviços privados pela UFBA, como xerox e cantinas
  • Condições de aulas em São Lázaro à noite
  • Funcionamento do serviço do Salvadorcard na UFBA à noite.
  • Salas para Centros e Diretórios Acadêmicos, colegiados, professores dos cursos noturnos
  • Iluminação, revitalização e paisagismo ecológico
  • Defesa irrestrita das cotas! Contra a Ação dos Democratas no STF!
  • Realizar o Seminário Ações Afirmativas por Inteiro
  • Realizar o I Seminário de Integração com a Comunidade
  • I Seminário de Formação de Entidades de Base (CAs e Das)
  • Pela construção do Fórum Acadêmico de Cultura e Arte
  • Realizar a II Bienal de Arte e Cultura da UFBA
  • Realizar o I Encontro de Estudantes LGBT da UFBA
  • Por um plano LGBT para a UFBA
  • Realizar o II Encontro de Mulheres da UFBA
  • Todo apoio às resoluções da CONAE
  • Defesa do Projeto de Reforma Universitária da UNE
  • Defesa da continuidade da expansão: UFOB e UFBA Metropolitana Já!
  • Paridade e fim do denominador nos Conselhos e eleições para Dirigentes
  • Orçamento Universitário Participativo
  • Garantia de vagas em Cursos de Progressão Linear para todos e todas estudantes oriundos dos BIs
  • Ampliação do debate contra a criminalização da maconha e por políticas de redução de danos.
  • Fora Fundações Privadas e Cursos Pagos!
  • Por uma expansão do campus com gestão ambiental democrática
  • Pela Facultatividade do Pagamento Antecipado do Salvador Card
  • Audiências Públicas dos Conselhos Universitários
  • Criação e construção do Fórum institucional de reestruturação acadêmica
  • Organização da Memória do Movimento Estudantil

sexta-feira, 12 de março de 2010

8 de março - Artigo da vereadora Marta Rodrigues*

O Dia Internacional da Mulher foi estabelecido em 8 de março pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, ano que se tornou o Ano Internacional da Mulher e também o início da Década da Mulher. As versões desta história, por mais diversificadas que sejam, constroem as imagens das mulheres como combativas operárias, revolucionárias e de esquerda.
É possível reunir tais narrativas em três blocos: 1) greves e martírio de operárias nos Estados Unidos, em 1857 e em 1908; 2) greve, manifestação e deflagração da Revolução Russa por parte das mulheres; 3) iniciativa de uma revolucionária chamada Clara Zethin, que em 1910, durante a 2ª. Conferencia Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhague (Dinamarca) propôs instituir o Dia Internacional da Mulher.
No Brasil, a Frente Negra Brasileira (1931) criou o Partido Republicano Feminino, demonstrando alto nível de organização nacional, que se iniciara no século anterior e se manteria até a ditadura militar do Estado Novo, em 1937. O movimento tem leve refluxo, mas retoma seu florescimento junto com os levantes internacionais de 75, o ano da mulher no mundo e também no Brasil. De lá até então, o movimento comemora o 8 de março como um marco histórico para as mulheres mundo afora.
Mas nem todas as mulheres protagonizaram esses momentos. As mais afetadas pelo machismo e pelo sexismo, as negras, percebiam os efeitos do racismo mesmo nos momentos de vitória. Como uma forte manifestação da dupla discriminação, à qual as mulheres negras estão submetidas, elas são excluídas dos melhores empregos simplesmente por serem mulheres e também negras. Relegadas ao trabalho precário e aos salários mais baixos, as negras ainda são as principais responsáveis pela família e por criar os seus filhos.
A presença da discriminação racial é reforçada pelas discriminações fundadas em gênero, aprofundando desigualdades e colocando mulheres negras na pior situação quando comparadas aos demais grupos populacionais.
A experiência histórica indica que as conquistas só se dão em períodos de avanços democráticos, sob pressão das mulheres, contando com o apoio dos movimentos e da sociedade organizada. As dificuldades de participação das mulheres nos espaços de poder estão determinadas entre homens e mulheres e no aprofundamento histórico da divisão sexual do trabalho. Nas últimas décadas, as mulheres iniciaram uma jornada de afirmação da própria identidade e de visibilidade, com a ampliação da presença no espaço público, rompendo os limites da esfera privada.
Esta é uma das mudanças sociais mais marcantes. No entanto, sua presença extremamente reduzida em espaços políticos de maior poder e decisão na sociedade denuncia a permanência do acesso masculino privilegiado. Mobilizadas pela reforma política e por melhores condições de disputa democrática, as mulheres percebem que chegar ao poder não é apenas mais uma pauta, e sim a melhor perspectiva de alterar a correlação de forças desvantajosas e iniciar o processo de mudança que nos levará á igualdade.
* Vereadora do PT na Câmara Municipal de Salvador e militante da Marcha Mundial das Mulheres